ESTELIONATO AFETIVO: o que é e como se proteger?

Imagine entregar seu coração a alguém que, por trás de sorrisos, promessas e juras de amor, tem um único objetivo: o seu dinheiro. Essa é a dura realidade do estelionato afetivo, estelionato sentimental ou “golpe do amor”: um tipo de abuso emocional e financeiro que cresce silenciosamente no Brasil.

O que é estelionato afetivo?

Estelionato afetivo ocorre quando uma pessoa se envolve emocional ou romanticamente com outra com o único objetivo de obter vantagens financeiras indevidas. É uma forma de manipulação que mistura o emocional com o interesse material, deixando a vítima não apenas lesada financeiramente, mas também profundamente abalada psicologicamente.

Ao contrário de um relacionamento que termina por incompatibilidades ou desentendimentos, o estelionato afetivo nasce de uma intenção premeditada: criar laços falsos para explorar a confiança e se apropriar de bens, valores ou vantagens econômicas.

Como o golpe costuma acontecer?

  1. Aproximação: tudo começa com um encontro casual, seja nas redes sociais, em aplicativos de relacionamento ou mesmo na vida cotidiana.
  2. Encantamento: o golpista se mostra afetuoso, presente, envolvente. Cria intimidade rapidamente. Faz com que a vítima se sinta especial e única.
  3. Manipulação emocional: surgem histórias comoventes, problemas financeiros, situações urgentes. Sempre com um tom de desespero disfarçado de confiança.
  4. Transferência de valores: a vítima, envolvida e muitas vezes apaixonada, começa a ceder. Faz empréstimos, cede cartões, empresta cheques, paga contas.
  5. Desaparecimento: quando o golpista consegue o que quer, desaparece, deixando para trás promessas não cumpridas, dívidas e um abismo emocional.

Estelionato afetivo é crime?

Sim, o estelionato afetivo está abarcado pelo artigo 171 do Código Penal, que trata do crime de estelionato. A pena prevista é de 1 a 5 anos de reclusão, além de multa.

Também o artigo 7º, IV da Lei n. 11.340/06 (Lei Maria da Penha) define como uma das formas de violência doméstica, a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.

Mas, independente da esfera criminal, a vítima pode buscar indenização e reparação civil pelos danos morais e materiais sofridos.

Como se proteger?

É importante reforçar que ninguém está totalmente imune a esse tipo de golpe. Pessoas inteligentes, bem-sucedidas e emocionalmente maduras também podem ser vítimas. O manipulador sabe exatamente como agir para gerar empatia e confiança. Por isso, a prevenção passa por alguns cuidados essenciais:

  1. Desconfie de relacionamentos rápidos demais: Quando o envolvimento é muito intenso desde o início, com juras de amor precoce e planos de vida acelerados, ligue o sinal de alerta. Relacionamentos saudáveis crescem com o tempo.
  2. Evite empréstimos e transferências de dinheiro: Independentemente do nível de envolvimento, não empreste dinheiro para alguém com quem você está começando um relacionamento. Especialmente se os pedidos forem frequentes, urgentes ou envoltos em histórias mal explicadas. Procure sempre um advogado para formalizar o contrato de empréstimo, com garantias para rápida liquidação e devolução dos valores corrigidos.
  3. Mantenha sua vida financeira protegida: Nunca compartilhe senhas, cartões, documentos ou informações bancárias, mesmo que a pessoa diga que “confiança é tudo em um relacionamento”.
  4. Converse com pessoas próximas: Golpistas costumam isolar a vítima. Por isso, é importante manter o diálogo com amigos e familiares. Muitas vezes, uma pessoa de fora pode perceber sinais que a vítima, emocionalmente envolvida, não consegue enxergar.
  5. Documente tudo: Mensagens, transferências, comprovantes. Em caso de suspeita, guarde todas as evidências. Elas serão fundamentais caso você decida procurar ajuda jurídica.

Fui vítima, e agora?

Se você foi vítima de estelionato afetivo, saiba: você não está só. Sentir vergonha é comum, mas não deve impedir que você tome providências.

Procure um advogado especializado. O suporte jurídico do escritório Matos & Medina pode fazer diferença na viabilidade da sua indenização e reparação patrimonial.

Além disso, é importante buscar apoio emocional. Psicólogos e grupos de apoio podem ajudar a reconstruir a autoconfiança e lidar com as consequências emocionais do golpe.

Conclusão: confiança é importante, mas proteção é essencial

Amar não pode ser sinônimo de se expor ao risco. Em tempos de relações virtuais, vínculos efêmeros e conexões aceleradas, proteger o coração também é proteger o bolso.

Se você desconfia que está vivendo algo semelhante ou já passou por essa situação, o escritório Matos & Medina está ao seu lado! Com unidades em São Paulo e Bauru, e atendendo em todo o Estado de São Paulo, nossa equipe jurídica atua com discrição, acolhimento e eficiência para proteger seus direitos e buscar justiça.


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